O sentido da vida

Uma das características mais marcantes da vida adulta é a necessidade de fazer escolhas a todo momento. Certamente, ser senhor de seu próprio destino é uma sensação formidável, ainda que, por vezes, assustadora. Contudo, creio que seja esse o objetivo maior de toda a educação que recebemos desde pequenos, tanto em casa quanto na escola: aprender a tomar decisões.

Esse processo começa cedo, na forma daquelas velhas perguntas de todos conhecidas, as quais vão, ao longo de nossas existências, progredindo em dificuldade e grandeza: "Qual sua cor favorita? O que você quer ser quando crescer? Quer se casar comigo? Qual o sentido da vida? Essa roupa me deixa gorda? Onde está Wally?".

Nem sempre há uma grande variedade de opções a se escolher. No entanto, as motivações e os critérios por trás de cada resposta são muitos e, creio eu, o que realmente faz a diferença nesse mundo. Como é praxe de nossas psiques, tentamos nos convencer de que nossas decisões são embasadas em valores morais virtuosamente solidificados e direcionados de acordo com a mais eficaz das lógicas para o cumprimento do bom e do belo. Passamos anos debruçados sobre tomos ancestrais na esperança de uma epifania numinosa que nos faça compreender o funcionamento dos cosmo, para que então, munidos do mais completo aparato epistemológico imaginável, possamos responder a mais nebulosa e evasiva pergunta imposta a nós mortais.

No entanto, como posso parar para pensar no sentido da existência quando a vida moderna me aborda com questões insolucionáveis a todo o momento?

Há dias em que passo horas no mercado perante a prateleira de cremes dentais. A variedade de sabores e funções é avassaladora. As empresas também não nos ajudam nem um pouco, chegando a lançar meia dúzia de modelos semelhantes, mas cada um arengando um resultado mais impressionante do que o outro. Não consigo enxergar qual a pasta de dentes mais adequada para mim, uma vez que todas pretendem salvar meus dentes de todas as enfermidades possíveis e mesmo reverter danos causados previamente à minha saúde bucal. Há também uma certa promessa de beleza, dinheiro e férias intermináveis por trás de um sorriso imaculado.

Em situações como essa, por sorte, ainda podemos recorrer à toda a tradição da lógica ocidental e pegar a embalagem mais brilhante.

 Escrito por Leo às 01h24
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