Senhor de todos os vícios

Você sabe que está viciado em algo quando a necessidade psicológica que sente pelo objeto do vício dá lugar a uma necessidade fisiológica pelo mesmo. Explico: quando a vontade, por exemplo, de ingerir coca-cola é substituída pela certeza de que a não-ingestão irá, inevitavelmente, culminar em um ataque epiléptico ou derrame facial.

Quando você chega nesse estágio do vício, não há muito mais o que fazer. Você passa pelos mais humilhantes expedientes apenas para conseguir apaziguar momentaneamente seu desejo. A lógica, nesse caso, é sua pior amiga, porque as pessoas não-viciadas, por estarem cientes de todos os males e desgraças que os vícios trazem consigo, jamais serão dobradas por qualquer raciocínio que você apresentar para persuadi-las a cooperar com a consumação de seu desejo. Por conta disso, é com freqüência necessário recorrer a chantagens emocionais, acompanhadas, não raro, do despimento completo de todo o auto-respeito que se tem e, por vezes, também das peças de sua presente indumentária. Nesse último caso, convém conferir a priori a tabela de preços convencionais para serviços não-regulamentados, a fim de não sair muito no prejuízo. De outro modo, apresentar a finitude da vida, a insignificância do homem perante o universo e pedir para ser tratado como enfermo costumam ser métodos consideravelmente eficazes.

Há ainda uma situação ainda mais delicada: quando você não só está viciado, como também não tem a menor vontade ou possibilidade de acabar com o vício. Nesse caso, você precisa passar a jogar com as vantagens de seu estado e usar o vício como forma de recompensa para motivar-se a executar seu trabalho e quaisquer outras tarefas que se tenha. É preciso planejar os compromissos diários e também as férias em família tendo em vista esse tipo de necessidade. Quanto maior e mais estranho for seu vício, como por exemplo apenas hidratar-se a partir das lágrimas do papa, maior deve ser o preparo e os planos de contingência. Isso é especialmente verdadeiro nesse caso, porque o atual papa não parece ser um homem de muitas lágrimas.

O lembrete final que gostaria de fazer é o de que todas as pessoas têm algum vício. Portanto, em vez de execrar aquele indivíduo cujas falhas são aparentes ao extremo, tome-o como amigo, pois pelo menos você vai ter certeza do tipo de loucura que ele tem. Muito mais perigoso e nocivo do que ele é o sujeito diligente e que se diz senhor de todos os vícios, assim como Sócrates. Tome cuidado com esse cidadão e evite-o a todo custo, pois muito possivelmente ele passa seu tempo livre sentado em algum parque da cidade, seduzindo criancinhas indefesas, assim como Sócrates.

 Escrito por Leo às 19h13
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"Of man and wolf"

Tenho um certo temor de conhecer melhor as pessoas de quem gosto. Esse receio é ainda maior com relação àquelas pelas quais nutro grande estima e admiração ainda que à distância. Sei que é uma coisa meio idiota e facilmente diagnosticável, mas é algo com que tenho de lidar o tempo todo e que tem inúmeros desdobramentos, porque, na verdade, esse medo meio que se aplica a todos os setores da vida, de pessoas a animais, esporte a comida, com exceção da pizza de pepperoni da Santa Margherita. Ela, realmente, nunca me decepciona.

De resto, creio que todos precisamos aprender a lidar com as muitas decepções que enfrentamos. Porém, algumas coisas na vida simplesmente nos pegam de supetão e derrubam todos os alicerces insólitos daquilo que temos como nossas crenças. Por conta disso, é que hoje em dia eu já não espero mais nada de ninguém.

A história do fim de minha fé no gênero humano começou poucos dias atrás. Era uma tarde ensolarada e eu bravamente enfrentava a tormenta enquanto navegava o bravio e instável mar da internet assim como ela nos é porcamente provida. Em meio às muitas manchetes a respeito de coisas desimportantes como política, aquecimento global e o iminente fim do mundo, vi algo que me encheu de esperança e motivação para tornar-me uma pessoa melhor. Não muito longe desse mesmo local de onde escrevo para o mundo essas linhas com mãos ainda trementes, um indivíduo certamente iluminado agia novamente. Sua missão: invadir sua casa e assaltar sua geladeira. Depois disso e de uma eventual soneca, esse incompreendido homem simplesmente parte, deixando para trás tudo aquilo que nós, em nossa ignorância, acreditamos ser de valor.

É desnecessário dizer que fiquei embevecido com a excêntrica aleatoriedade incorporada por esse nosso amigo em suas missões. Pessoas tentaram agarrá-lo, correram em seu percalço e até quiseram impedi-lo de tomar sol na sacada depois de uma boquinha, mas ele tem sempre sucedido em evadir quaisquer medidas contra sua vontade. Em certas ocasiões, foi relatado que ele chegou mesmo a dialogar educadamente com suas vítimas. Não posso deixar de imaginá-lo como uma espécie de núncio numinoso, proferindo frases enigmáticas e agourentas enquanto testa todos os limites de sua astúcia e de seu físico, passando por privações, enfrentando a intempérie e a turba enfurecida de uma forma que daria inveja até a Diógenes. Partindo, deixaria os homens em irremediável aporia e todas as mulheres em idade fértil num raio de dois quilômetros milagrosa e inexplicavemente engravidariam.

Mas, como vocês já sabem antecipadamente por uma falha em minha capacidade narratória, todo o respeito que tinha por esse homem se foi. Ávido por maiores informações a seu respeito, alguns dias depois vim a saber que ele havia quebrado sua própria regra e levado consigo vinte reais depois de seu lanchinho habitual. Não tenho palavras para descrever o triste estado de espírito em que me encontro desde então.

Só me resta a súbita esperança que agora me veio de que isso tudo seja uma tentativa das autoridades de aviltar a extraordinária imagem desse homem santo. Sim, há de ser isso: apenas mais um dolo da corja comunista para acabar com a esperança do povo da emersão de um grande líder e filósofo que poderia nos liderar rumo ao iluminamento espiritual e à conquista do mundo. Do contrário, é preferível a morte.

 Escrito por Leo às 19h21
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Se achar que me viu por aí, pense duas vezes

Para um artista, poucas coisas no mundo são piores do que o anonimato. É comum ver um aspirante a escritor, por exemplo, furioso com o mundo cada vez que um cidadão desprovido de eloqüência ou, em certos caso, até de conhecimentos gramaticais se faz famoso do dia para a noite e ganha montanhas de dinheiro. Outra situação igualmente frustrante é quando um pintor talentoso, porém desconhecido, ganha dos amigos uma revista do tipo "Como aprender a pintar em duas horas". Isso sem falar nos casos em que as pessoas, por ignorância e preconceito, simplesmente menosprezam tudo que um artista faz, usando o raciocínio de que se ele não é famoso, certamente não presta.

Todos esses casos são incontestavelmente tristes. Todavia, o anonimato e todos os exemplos apresentados acima parecem-me pertencer a um único problema maior, com o qual tenho me debatido muito ultimamente: o reconhecimento. Na verdade, o problema é a falha no reconhecimento, como vocês podem imaginar.

O caso é que o destino, esse fanfarrão, quis que habitasse, no prédio ao lado do meu, um sujeito que é a minha cara. Não fosse suficiente a semelhança física e de localidade, quiseram ainda as Parcas que ele estudasse na mesma faculdade, freqüentasse a academia no mesmo horário e se vestisse de forma idêntica a mim.

No início, claro que eu achei graça. Ainda que em todas as ocasiões em que eu e meu clone nos vimos frente-a-frente tenhamos ficado olhando um para o outro com mudo estranhamento, precisei concordar com meus amigos que havia uma certa comicidade na coisa. Era tudo brincadeira enquanto os conhecidos viam me contar que tinham confundido o vizinho comigo. Porém, quando chegou ao ponto de minha própria mãe não ter certeza se era eu ou não, dei-me conta da tragicidade de tudo isso.

Fico pensando o que teria acontecido aos antigos se houvesse falhado para eles também o reconhecimento. Euricléia não teria percebido que era Odisseu o mendigo que chegara ao palácio de Penélope e não o teria ajudado. Os pretendentes teriam-no matado e não haveria a "Odisséia". Ou pior, antes disso, se Agamêmnon não houvesse notado que Odisseu não estava louco de verdade e que a moça forte em meio às outras donzelas era Aquiles disfarçado, na ocasião em que ambos tentaram fugir da guerra, os Aqueus certamente não teriam vencido os Troianos, ou talvez nem tivessem tentado enfrentá-los e não haveria a "Ilíada". Homero, sem ter o que cantar, provavelmente teria aposentado a cítara e virado atendente de telemarketing ou vendedor de enciclopédias.

Por outro lado, talvez eu pudesse tirar proveito dessa confusão de identidades. Preciso tomar coragem e conversar com meu sósia. Se chegarmos a um acordo, poderemos dividir nossas tarefas cotidianas, fazer provas na faculdade e em concursos públicos no lugar do outro, adentrar o mundo do crime, ou mesmo virar mágicos profissionais. Só será preciso tomar cuidado para não esbarrarmos um no outro e causar um rompimento no continuum espaço-tempo. Fora isso e as confusões conjugais, creio que teremos um futuro feliz, eu e meu clone.

 Escrito por Leo às 16h20
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O enigma do aço

Acredito que estaremos um passo mais próximos do auto-conhecimento quando algum estudioso, numa epifania magistral, der à luz a filosofia definitiva. Posso imaginá-lo, absorto em pensamentos e curvado sob uma miríade de tomos ancestrais, prestes a desistir de sua árdua tarefa e da vida de modo geral, quando de repente lhe chega a inspiração e o arrebata de seu estado natural para um mundo em que todas as idéias se encaixam numa cadeia de assombrosa perfeição.

Seria muita petulância de minha parte querer vislumbrar o verdadeiro teor de tal obra, mas creio que, por ter imaginado a possibilidade de sua existência, possa esboçar algumas conjecturas a seu respeito sob a autoridade de profeta. Prevejo, então, que o título deverá ser algo como "A maneira Conan de viver e prosperar".

Antecipo que a premissa básica dessa filosofia será a de aplicar o método Conan de lidar com problemas para todos os setores da vida. Haverá uma inexistência de barreiras divisórias entre vida pessoal, trabalho, comunidade e família. Tudo quanto existe e todas as possibilidades de ação serão medidas sob a simples e eficaz ótica bárbara de acabar com os obstáculos a seu sucesso, observar seu trabalho perfazer-se e desfrutar do resultado de seus esforços. Imagino que, com isso, o nível de estresse mundial se verá drasticamente reduzido, pois tudo que causar agravo aos homens será indubitavelmente eliminado num piscar de olhos sob o fio da espada, o que, certamente, significará a inexistência de serviços como assistência técnica para eletrodomésticos e eletrônicos.

A versatilidade, simplicidade de adesão e bom plano dentário certamente farão com que esse modo de viver se torne rapidamente popular entre as camadas mais cultas e abastadas de nossa sociedade. Haverá, em seguida, uma versão econômica para distribuição em massa, que logo subverterá a essência desses ensinamentos em tema de pagode. No entanto, àqueles que atentarem com esmero às doutrinas do método Conan, restará ainda a promessa de viver o resto de seus dias com uma trilha sonora de Basil Poledouris adaptada a seus eventos cotidianos.

 Escrito por Leo às 17h36
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Como viver melhor e solucionar problemas

Sou um grande apreciador de molhos. A geladeira aqui de casa está sempre cheia, mas poucas vezes há qualquer coisa comestível por si própria à exceção de pilhas e pilhas de hambúrgueres. Tem pote de tudo quanto é coisa para todo o lado. Só de molho barbecue, há mais de meia dúzia. Pimenta, então, não dá nem para contar. Molho de tomate e mostarda também não faltam e o curry é de lei.

As pessoas estranham ou acham graça dessa minha tara por condimentos. Alguns chegam a pensar que é algum distúrbio ou doença contraída quando eu era criança e morava no mato, onde provavelmente fui atacado por criaturas bestiais e mitológicas, como toda criança que se criou no mato. Outros simplesmente olham com incrédula reprovação, culpando a modernidade e o declínio da civilização ocidental, que tantos males trouxe para dentro de nossos lares.

A verdade é que há uma fundamentação filosófica para essa desmedida ingestão de molhos e condimentos. A meu ver, os molhos estão para a comida assim como o humor está para a vida. Há sempre momentos difíceis ao longo de nossa existência que, sem dúvida alguma, podem ser facilmente contornados com um pouco de bom humor. Assim como o riso ajuda a engolir os incontáveis insucessos que todos acabamos enfrentando, o molho, esse incompreendido fármaco, nos ajuda a lidar com alimentos mais saudáveis, porém sem gosto, como produtos de soja, hambúrgueres de frango e saladas em geral.

É claro que, no final das contas, se você fizer a matemática de tudo, o molho provavelmente tem tranqueiras negativas o bastante para tornar tudo o que há de positivo no alimento saudável que você ingeriu completamente irrisório. Mas é preciso pensar nisso tudo como uma preparação para o futuro e entender a brava luta contra os steaks de frango sabor isopor como um treinamento constante para vencer as dificuldades da vida.

 Escrito por Leo às 02h09
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Urinar contra o vento dá gonorréia

É comum ouvir dizer que se tem medo do escuro, ou de ir ao dentista. Da mesma forma, há muita gente que morre de pavor de ser assaltada. De minha parte, devo dizer que nada disso me assusta muito, mas, por outro lado, se vier falar de bruxaria perto de mim eu saio correndo.

Como bruxaria, incluo todas as formas indiretas de se fazer mal a outrem. As modalidades desse esporte, como esperado, são muitas e vão desde as crendices populares como varrer os rastros de uma pessoa para que ela nunca mais volte, ou colocar duas vassouras juntas num canto da casa para gerar discórdia entre os familiares, até o uso inusitado e maquiavélico do Feng Shui, pelos empresários chineses, para lesar a concorrência. Inclusive, para os orientais, o assunto é tão sério que os sujeitos chegam a pagar para que se façam obras na rua no lado especificamente vulnerável, em termos de energia, do prédio adversário, a fim de perturbar seu equilíbrio cósmico e prosperar a partir da desgraça alheia. Não contentes com isso, às vezes ainda eles próprios compram um terreno adjacente e lá iniciam obras, adicionando uma rebarba gigante na arquitetura do prédio para canalizar e alvejar o inimigo com a energia do local. É um negócio tão sinistro e absurdo que daria até roteiro para o "Pinky e o Cérebro" e faria o Doctor Evil se encolher de vergonha.

Nesse caso do Feng Shui do mal, há uma tradição milenar que é capaz de explicar com detalhes e demonstrações empíricas o funcionamento do ritual. Quem já viu um daqueles monges malucos furar vidro com arremesso de agulhas não vai ter muita dificuldade de acreditar que os chineses sabem o que estão fazendo com a arquitetura perversa de seus edifícios.

Por outro lado, a crendice popular desprovida de qualquer fundamento ou racionalização me parece muito mais perigosa e devastadora. Afinal de contas, se existe uma explicação para um fenômeno, é, em primeiro lugar, muito mais fácil de compreendê-lo e armar-se contra ele. Em segundo lugar, sua correta aplicação, por ser algo comprovadamente eficaz, depende apenas da técnica, ao passo que, para fazer algo completamente infundado e absurdo dar certo, é preciso de uma quantidade impensável de força de vontade e fé. O sujeito que chega na sua casa e, discretamente, revira seus sapatos e chinelos para causar a morte da sua mãe é mil vezes mais perigoso do que um empresário chinês e deve ser tratado como um terrorista.

Portanto, suspeite de pessoas com comportamento aparentemente errático e, na ocasião de decidirem visitá-lo, jogue sal no fogo para evitar que apareçam. Falhando isso, galhos de arruda atrás da orelha são a ordem do dia.

 Escrito por Leo às 16h53
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O pináculo do contentamento

Acredito ser alguém de certa forma capacitado para asseverar a grandeza da ironia e do sarcasmo como as figuras de linguagem mais divertidas de nossa língua, com exceção tão-somente da catacrese, cujo nome é tão esdrúxulo que mais parece uma interjeição caipira do que um termo técnico. Certas pessoas, no entanto, não parecem ter muita noção de como e quando empregar esses recursos lingüísticos e, em sua ignorância, acabam se tornando seres de caráter abominável. Em vista disso, tomo a liberdade de tecer algumas recomendações para que se evitem gafes desnecessárias por conta do uso despiciendo da ironia.

O primeiro fundamento a se atentar é a graduação. Se se trata de um amigo caro que acaba de fazer-lhe um comentário desmerecedor de qualquer injúria, é preciso moderação na causticidade do impropério. Da mesma forma como os policiais sabem que em amigo não se atira sem motivo com calibre maior do que 9mm, também não é bonito se valer de insultos desmedidos nessas ocasiões.

Em seguida, há de se perguntar se o que se irá dizer é realmente uma brincadeira ou não. Se você tem alguma convicção da veracidade do que está prestes a proferir, talvez seja melhor repensar seus motivos. A não ser, obviamente, que a intenção no momento seja a de ofender mesmo. Nesse caso, pode crer que está no caminho certo.

Deixei por último a parte mais importante e cujo emprego impensado mais me enfurece. Trata-se daquele tipo de frase repleta de falsa cordialidade e enunciada com inegável ódio. Outro dia, por exemplo, quase mudei de idéia de comprar minha torta de limão quando ouvi a moça da padaria chamando as pessoas em minha frente na fila de "querido" ou "querida", mas num tom que beirava a vociferação. Prefiro que me chamem de filho da puta de uma vez do que me venham com tamanha falsidade. É algo até insalubre, pois o sujeito que se nega a descarregar toda essa ira de forma contundente vai, com certeza, acabar com uma úlcera na melhor das hipóteses, ou perdendo a cabeça matando meia dúzia com uma uzi na pior.

Reitero, então, meu pedido que se atente ao uso da ironia no cotidiano e resumo brevemente o que disse para que não se esqueçam: frases irônicas e bem-humoradas são ótimas para se dizer a amigos; frases odiosas e marcadas pela subversão de tudo que se crê bom nesse mundo não devem ser ditas a ninguém que se preze cara-a-cara. Pelas costas, é outra história, claro, como o caso do sujeito por que passei outro dia na rua enquanto ele se referia à mulher dele como "minha digníssima esposa". Na ausência do objeto de execração, a ironia mordaz se torna algo de bom gosto por denotar as mais horríveis imprecações sem ofender o ouvido dos pudicos e das crianças.

Com um pouco de bom senso e treino, tenho certeza de que todos poderão aprender o correto uso dos vitupérios e, assim, tornar-se pessoas melhores, viver muitos anos e prosperar.

 Escrito por Leo às 17h31
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Cinefilia Passiva

Tenho um verdadeiro fascínio pelo cinema. Poucas coisas na vida são melhores do que parar o ritmo diário por algumas horas e experimentar a existência a partir do ponto de vista de um outro ser complexo. Tamanho é esse encanto que houve até uma época em que via, religiosamente, ao menos cinco filmes por semana. Infelizmente, por questões monetárias e pelo próprio limite do catálogo das locadoras do bairro, vi-me obrigado a diminuir essa quota de maneira considerável.

Há, contudo, uma experiência semelhante que, além de não me custar nada, é muitas vezes ainda mais prazerosa do que assistir ao filme propriamente dito. Pode parecer estranho, mas na maioria das vezes gosto mais de ouvir alguém me contar um filme do que o ver eu mesmo. Obviamente, há exceções a essa regra, mormente nos casos de filmes extraordinários ou de pessoas incapazes de constituir um discurso coerente ou interessante.

De outro modo, sempre me ocorre de gostar mais de ouvir alguém narrar um filme que lhe é caro do que, motivado pela narração, mais tarde ver a história com meus próprios olhos. Na maioria das vezes, a segunda experiência é notavelmente inferior à primeira. Parece-me que, quando alguém realmente gosta de um filme e tem alguma capacidade para contar uma história, torna-se capaz de melhorá-la ainda mais, torná-la ainda mais interessante.

A paixão com que essas pessoas acabam narrando a história solidifica sua convicção na grandeza da trama, fazendo com que mesmo aqueles momentos filmados com um certo receio de recair no ridículo se tornem mais aprazíveis. Parece-me que essa é uma das características mais importantes do narrador, que no fundo é um vendedor de histórias: ter fé que seu produto é merecedor da maior atenção e reverência, proferindo, assim, cada frase como se ela fosse a verdade mais importante a que se ater naquele momento e, desta forma, alçar o leitor num vôo repentino e fantástico por terras distantes e sentenças desnecessariamente longas como essa.

 Escrito por Leo às 18h48
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Arcanologia

Há uma certa magia na ignorância do funcionamento de alguns aspectos do mundo. Parece haver uma proporção bem-definida entre o deslumbramento causado por alguma coisa e sua banalidade. Por exemplo, o algodão-doce: não há uma única criança neste mundo que tenha ficado cara-a-cara com essa entidade e não tenha lacrimejado, ainda que simbolicamente, ao contemplar a maravilha insólita de sua compleição. No entanto, uma vez explicada sua verdadeira natureza e o processo corriqueiro pelo qual é criado, o algodão-doce até deixa de ser gostoso. Lembro que a última vez que o comi foi alguns minutos antes de formular a maldita pergunta que me revelaria para sempre a ontologia dessa guloseima e me privaria da feliz e mágica ignorância em que me encontrava.

Certa vez, durante a faculdade, coube-nos analisar "A Máquina do Mundo", de Drummond. Naquele evento, meu amigo Antonio fez uma interpretação que, certamente, explica até certo ponto a problemática do assunto desta crônica. O eu-poético do poema, que se pode personificar, por analogia, como este que aqui vos fala enquanto criança rotunda e feliz, buscava incessantemente entender o funcionamento do mundo, que, por sua vez, é representado neste caso pelo algodão-doce. Contudo, quando finalmente lhe é oferecido elucidar o segredo por que tanto anelava, ele se negou a recebê-lo, inconscientemente sabendo que o conhecimento de tudo que existe no mundo faria miserável sua existência, como naquele conto de Machado de Assis em que um sujeito escolhe nascer sabendo tudo que havia aprendido na encarnação anterior e, por conta disso, passa a vida toda mergulhado em asco e tédio para com tudo quanto existe. Da mesma forma, pode-se pensar n'"O Aleph" de Borges ou mesmo em "Hamlet".

A culpa, logo, recai na civilização ocidental e na desmistificação do mundo por ela causada. Creio que seja isso, ou o aquecimento global ou a sífilis. De uma forma ou de outra, sugiro que se torne crime imperdoável privar alguém deste estado de embevecimento alcançado unicamente pela ignorância. Da próxima vez, então, que vir alguém se entretendo com algo genuinamente estúpido, apiede-se de si mesmo por ter perdido este saudoso elo com a magia das coisas banais.

 Escrito por Leo às 16h26
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Como não ser um completo imbecil

A internet facilitou nossas vidas de maneiras incontáveis. Isso é um fato inegável e indiscutível. Apenas a comodidade de fazer banco online já é motivo o bastante para sustentar essa tese, sendo desnecessário, a meu ver, arrolar quaisquer outros fatores, por mais que haja tantos a serem facilmente apontados.

Como tudo na vida, no entanto, a internet também tem seu lado ruim. É comum ouvir as pessoas mencionarem o quão irritadas ficam por conta da quantidade de e-mails indesejados, janelas pop-ups e spyware com que têm de lidar diariamente. De fato, essas são qualidades completamente reprováveis, mas me parece que a maior parte de nós não percebe que a maior parte de nós é um problema ainda maior.

Qualquer um que, por exemplo, já tenha entrado num chat público, daqueles temáticos e visivelmente porcos, poderá confirmar o que digo quando afirmo que a pior coisa que existe na internet é o internauta. A experiência resultante de lidar com um internauta médio é pouco mais interessante do que a autoflagelação e potencialmente menos satisfatória. Não há muito o que dizer a esse respeito sem recair no óbvio. Portanto, vamos à parte que interessa: a que diz respeito às pessoas razoavelmente agradáveis que habitam esse mundo virtual nosso de cada dia.

A essas pessoas, cabe fazer um apelo para que sejam mais contundentes, uma vez que com as demais é perda de tempo tentar dialogar. Eis, então, algumas recomendações para aprimorar sua experiência internética:

i) não discuta na internet: mesmo que você tenha razão ou esteja brincando, pois é comum que a pessoa do outro lado não interprete corretamente o que você está dizendo e ainda fique chateada.

ii) não empregue reticências em vez de, bem, todos os outros sinais de pontuação: a língua portuguesa agradece.

iii) use emoticons, mas com parcimônia: emoticons ajudam a direcionar corretamente suas frases em conversas informais e substituem as expressões faciais até certo ponto, mas não abuse -- principalmente daqueles que fogem do padrão.

Seguindo essas três sugestões básicas, tenho certeza de que todos seremos mais felizes, não haverá mais discórdia entre amigos e evitaremos o apocalipse.


 Escrito por Leo às 00h04
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O valor da amizade

Criticar o trabalho dos outros nunca é fácil. Aos olhos do autor, ninguém será capaz de exaltar o bastante as características positivas do objeto da crítica. Do mesmo modo, será impossível achar o eufemismo adequado para se referir aos possíveis problemas da obra.

Além dessas dificuldades básicas, ainda há sempre a questão da ordem de exposição dos comentários. Se se começa pelos elementos positivos, o criticado mal consegue prestar atenção ao que se fala, sabendo que haverá um outro lado da moeda, cuja escrotisse poderá ser potencialmente maior do que qualquer louvor de suas realizações. Por outro lado, trazer à tona por primeiro o que há de ruim de uma obra é fazer com que tudo de bom que se fale em seguida tenha um tom de prêmio de consolação.

Em horas como essa e em especial quando o criticado vem a ser um amigo, uma palavra desmedida pode tomar proporções épicas e pôr fim a um relancionamento de muitos anos. Não obstante, há dias em que, aparentemente, nós nos encontramos num estado de espírito de maior esclarecimento no que diz respeito à impossibilidade de satisfazer o capricho humano. Por conta disso, às vezes, acabamos deixando de lado as formalidades e dando vazão aos mais profundos e sinceros sentimentos que, naquele momento, possamos estar sentindo.

Creio que, no mundo atual, haja uma terrível falta de consideração para com os comentários de espontânea genuinidade. Há que se prestar mais atenção na coragem necessária para despir-se de todos os mecanismos da convenção a fim de que possam emergir as palavras mais honestas que habitam nosso íntimo. Não apenas isso, mas também o tipo de confiança e respeito que um vivente precisa ter em relação a outro para que algo assim aconteça.

No dia em que as pessoas se conscientizarem da importância de um comentário sincero, não haverá mais necessidade do manual de etiqueta para situações não-convencionais. Até lá, no entanto, lembre-se dessas palavras e de agradecer a próxima pessoa que lhe disser que algo que você fez está uma merda.


 Escrito por Leo às 03h44
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O sentido da vida

Uma das características mais marcantes da vida adulta é a necessidade de fazer escolhas a todo momento. Certamente, ser senhor de seu próprio destino é uma sensação formidável, ainda que, por vezes, assustadora. Contudo, creio que seja esse o objetivo maior de toda a educação que recebemos desde pequenos, tanto em casa quanto na escola: aprender a tomar decisões.

Esse processo começa cedo, na forma daquelas velhas perguntas de todos conhecidas, as quais vão, ao longo de nossas existências, progredindo em dificuldade e grandeza: "Qual sua cor favorita? O que você quer ser quando crescer? Quer se casar comigo? Qual o sentido da vida? Essa roupa me deixa gorda? Onde está Wally?".

Nem sempre há uma grande variedade de opções a se escolher. No entanto, as motivações e os critérios por trás de cada resposta são muitos e, creio eu, o que realmente faz a diferença nesse mundo. Como é praxe de nossas psiques, tentamos nos convencer de que nossas decisões são embasadas em valores morais virtuosamente solidificados e direcionados de acordo com a mais eficaz das lógicas para o cumprimento do bom e do belo. Passamos anos debruçados sobre tomos ancestrais na esperança de uma epifania numinosa que nos faça compreender o funcionamento dos cosmo, para que então, munidos do mais completo aparato epistemológico imaginável, possamos responder a mais nebulosa e evasiva pergunta imposta a nós mortais.

No entanto, como posso parar para pensar no sentido da existência quando a vida moderna me aborda com questões insolucionáveis a todo o momento?

Há dias em que passo horas no mercado perante a prateleira de cremes dentais. A variedade de sabores e funções é avassaladora. As empresas também não nos ajudam nem um pouco, chegando a lançar meia dúzia de modelos semelhantes, mas cada um arengando um resultado mais impressionante do que o outro. Não consigo enxergar qual a pasta de dentes mais adequada para mim, uma vez que todas pretendem salvar meus dentes de todas as enfermidades possíveis e mesmo reverter danos causados previamente à minha saúde bucal. Há também uma certa promessa de beleza, dinheiro e férias intermináveis por trás de um sorriso imaculado.

Em situações como essa, por sorte, ainda podemos recorrer à toda a tradição da lógica ocidental e pegar a embalagem mais brilhante.

 Escrito por Leo às 01h24
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Evolucionismo e você: como sobreviver e se tornar uma pessoa melhor

O tempo passa e muda tudo. Estações se sucedem, gerações se alternam, opiniões mudam, amigos tornam-se estranhos. É inevitável e inegável o fato de que todos nós estamos, lenta e constantemente, nos transformando dia após dia. Uns, para melhor; outros, nem tanto. Uma coisa, contudo, é universal: o tempo passa e ninguém fica mais jovem.

Há, contudo, quem enfrente essa mudança com um otimismo digno do "Cândido" de Voltaire. Quem nunca ouviu alguém dizer que as pessoas são como o vinho: só tendem a se aprimorar com o tempo.

Talvez seja verdade. Conheço, de fato, um bom número de pessoas que, com o passar dos anos, se tornaram indivíduos admiráveis. Por outro lado, há também aqueles a quem a ação do tempo pouco parece ter feito a seu favor, mais ou menos como um vinho de mesa. Alguns outros parecem ter atingido seu ápice na juventude, e os que não foram corretamente consumidos nessa idade, em geral, tendem a adquirir um azedume notoriamente impróprio.

É claro que nem tudo são lágrimas na vida de um sujeito avinagrado. Só é preciso saber apreciá-lo em circunstâncias leves, como saladas, mas sem exagero e em doses homeopáticas, pois nada é pior do que quando você engasga no vinagre, sabe? Quando ele desce errado, queima a garganta e faz você ficar temporariamente com a voz do Pato Donald. É uma experiência terrível e lacrimejante.

Há ainda algumas anomalias na regra geral. As pessoas, como os vinhos, precisam ser tratadas de uma certa forma para amadurecerem corretamente. No entanto, ao menos duas vezes, comprei uma garrafa de vinho no mercado aqui perto, onde ela estava estocada porcamente e, pelo que notei, triste e enfurecidamente, ao chegar em casa, a própria rolha estava se esfarelando. Já estava a ponto de voltar ao estabelecimento que me havia ludibriado com aquela ofensa à tradição enológica ocidental quando me dei conta de que o vinho, na verdade, não estava cheirando tão mal assim. Na verdade, após uma breve inspeção, constatei que ele estava inexplicavelmente formidável!

Acredito que as condições adversas às quais aquela garrafa estava exposta acabaram fazendo com que ela amadurecesse mais rápido do que o normal, mais ou menos como o que acontece com uma criança que tem de lidar com o mundo adulto antes do tempo. Foi algo tão cativante, que logo voltei ao mercado para comprar outra da mesma garrafa. No entanto, essa já havia sucumbido a seu ambiente e se deteriorado. Testemunhei o ápice e o declínio daquela geração de vinhos e sobrevivi para relatar o caso a vocês, meus leitores.

Por algum motivo, quando eu pensei nessa crônica, achei que ela seria engraçada e divertida, mas me parece que esse final se precipitou num abismo de melancolia e pessimismo. Deixe-me ver se consigo virar a mesa e fazer isso ficar cômico. Ah, sim, um pensamento jocoso: havia ainda mais várias garrafas daquela mesma safra e eu não avisei a ninguém que estavam estragadas.

 Escrito por Leo às 02h07
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Como ser feliz, ter sucesso, e remover caroços de melancia sem se lambuzar muito

Com efeito, diariamente, somos obrigados a conviver com humanos, essa raça estranha e incomum, cujos hábitos e costumes são, ao mesmo tempo, fascinantes e injusticavelmente repulsivos. Para as ocasiões mais cruciais de nossas existências, há regras bem-definidas e pré-estabelecidas, feitas para nos salvar de questões de vida ou morte, como, por exemplo, a maneira correta de se comer uma lagosta. Para as mais corriqueiras, no entanto, vemo-nos arrebatados por uma correnteza de dúvidas e gafes que, certamente, poderiam ser evitadas com a criação de um manual de Etiqueta para situações não-convencionais. Enquanto meu caro amigo Antonio não lança o manual definitivo, creio que se faz necessário um guia temporário, ou, se quiserem, uma muleta comportamental para preencher essa lacuna em nossas psiques.

Se você é como eu e acredita que a atividade mais penosa de sua existência é deixar o conforto do lar para ir à padaria, certamente já se encontrou em maus lençóis quando, num dia especialmente movimentado, uma mulher desvairada resolve atravessar com seu carrinho de supermercado o vão entre a prateleira ao lado e a fila para pegar pão, ainda que você, por um infortúnio do destino, estivesse praticamente terminando de o cruzar no sentido oposto. A boa educação dizia antigamente que se devia sempre dar passagem a mulheres. No entanto, com o advento do feminismo, tratar as mulheres diferencialmente se tornou algo ofensivo a seu sexo, o que pode levar uma mente masculina bem-intencionada a um curto-circuito.

Por essas e outras, uma vez mais, vê-se a necessidade de um tratado que estabeleça uma lógica única a ser seguida no dia-a-dia. Mas não se preocupem, amigos, pois, antes que percam a razão tentando desvendar esse mistério, vou dar-lhes a solução, seguida de comentário: se se tratar de uma mulher bonita, dê passagem; do contrário, continue andando e se engalfinhe com ela, derrubando o sujeito ao lado e três pilhas de pepinos em conserva.

A verdade é que as pessoas bonitas deslizam pela vida sem muitas dificuldades, pois todos as tratam bem. As feias, por outro lado, estão acostumadas a não ter quaisquer regalias e, muitas vezes, sentem-se até discriminadas quando bem tradadas. "Obviamente, você está me dando passagem por que se comoveu com minha feiúra. É por causa de porcos como você que o Brasil não vai para frente".

Se se tratar, por outro lado, de alguém do mesmo sexo, vale o bom senso, que nesse caso, significa "Dê passagem para o sujeito muito maior que você". Caso sua orientação sexual seja a oposta do comum, então, creio que valha o oposto. Caso você jogue para os dois times, use apenas a primeira solução, para aumentar suas chances de flertar com alguém interessante. Caso seja assexual, procure ajuda médica.

 Escrito por Leo às 23h37
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"Profissão de Fé"

Ao contrário da maioria das profissões, o artista padece de um mal incomum, especialmente num país emergente como o Brasil. Aliás, país emergente é um daqueles eufemismos que quase ofendem. A carga de otimismo neles é tão grande que só podem ser gozação ou fruto de uma mente desvairada.

Mas eu divago.

Dizia que o artista, sim, o artista é um sofredor. Feliz é o marceneiro, o padeiro, o pedreiro, pois ninguém jamais no mundo, eu creio, chegou a um desses e lhe negou sua profissão. Nunca se ergueu uma casa só para, em seguida, ouvir alguém dizer que aquilo não é uma casa. Pelo menos, não antes do Modernismo, quando as pessoas ainda eram sãs e os loucos eram mantidos em cativeiro, e não idolatrados como profetas de um novo mundo.

Mas vejam só: aí está um típico exemplo desse mal de artista. A arte é tão subjetiva que qualquer infeliz é capaz de apontar um dedo e negar seu valor, como acabo de fazer, por mais que eu, obviamente, tenha razão. Por esse motivo, o artista passa seus dias a questionar-se se o fruto de seu lavor é ou não arte.

Disso, nasce um outro distúrbio sintomático: a busca de validação por meio da crítica alheia. Em outras palavras, o aspirante a artista começa, então, a aporrinhar todos os viventes a seu redor para ler os poemas que escreveu, analisar o quadro que pintou, vivenciar os muitos ruídos daquilo que ele, sem o menor decoro, chamou de música.

O início de uma trilha nunca é fácil e aqueles que estão nela há mais tempo do que nós sempre podem nos ajudar, aclarando as sombras de nossas incertezas com a sabedoria que somente o tempo proporciona. Foi como disse um de meus professores certa vez: "Sei que muitos de vocês, estudantes de Letras, são escritores de prosa e verso, e gastam muito de seu tempo lapidando suas obras com esmero. Eu, realmente, acho ótimo que vocês escrevam..., mas não me peçam para ler, porque eu não estou interessado".

Acho que foi umas das coisas mais inspiradoras que um professor meu já me disse, perdendo apenas para quando, após ler um poema meu, um deles me falou: "Você é jovem. É fácil escrever sobre o amor quando se é jovem. Quero ver você escrever sobre o amor quando tiver a minha idade. Quero ver você escrever sobre o apoético. Quero ver você escrever sobre a merda".

Não sei se o mais triste foi eu ter seguido o conselho dele ou o fato de que o fruto de tal conselho foi considerado por alguns minha obra-mor. De uma forma ou de outra, pelo menos me serviu para curar desse mal de escritor.

Mentira.

 Escrito por Leo às 02h44
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